Ponto de Equilíbrio Econômico

No artigo anterior, refletimos sobre o Ponto de Equilíbrio Operacional ou Contábil, aquele em que as Receitas se igualam aos Custos. Fizemos algumas considerações sobre sua importância e ressaltamos que esse não é o objetivo de uma empresa, embora em momentos de crise como este, no qual estamos mergulhados, seja perfeitamente possível operar nesse nível, pois nele todos os custos (sejam eles variáveis, sejam fixos) são cobertos. Alertamos, ainda, para o fato de que o empreendedor não constitui uma empresa para operar nesse nível. Ele espera que o negócio pelo menos lhe proporcione um retorno igual a outro investimento sem risco, como, por exemplo, a poupança, o CDB ou outro qualquer.
Com isso, ele deseja um lucro que pode ser calculado no mínimo de duas formas: retorno sobre o patrimônio líquido da empresa, que identificaremos como RPL, ou retorno sobre a receita da empresa, que identificaremos como RRE.

Esses dois indicadores são importantes para que o empreendedor conheça quais são as reais possibilidades de retorno do seu negócio e a sua potencialidade de alavancar o retorno. Outro ponto importante a ser destacado é a comparação que o empreendedor possa fazer com aquelas empresas do seu segmento. Hoje, os ramos de negócios que estão agrupados em associações de classe possuem indicadores de gestão para o seu ramo. Comparar os seus indicadores com o do segmento é um fator importante para visualizar a sua posição entre os concorrentes.

Vamos à prática! A seguir, apresentaremos um exemplo simples de uma empresa com capacidade instalada de 18.000 unidades no mês, preço de venda médio unitário de R$ 10,00, custo variável médio unitário de R$ 6,00 e com custo fixo total mensal de R$ 40.000,00. Para termos uma visão da sua realidade, calcularemos o ponto de equilíbrio operacional.

Com essa informação, já sabemos que a empresa precisa produzir e vender 10.000 unidades no mês para cobrir todos os seus custos, mas o seu objetivo é produzir e vender acima desse nível, pois ela está interessada em obter lucro. Ressaltamos, ainda, outra informação importante: se a empresa precisa produzir no mínimo 10.000 unidades e pode atingir o máximo em 18.000 unidades, nesse intervalo, está o seu potencial de lucro, ou seja, mantendo os valores constantes, o lucro máximo da empresa será de R$ 32.000,00.
Considerando que o valor investido (Patrimônio Líquido) pelo proprietário foi de R$ 100.000,00 e que ele espera um retorno de 15,00% sobre esse valor, teremos:

Lucro: R$ 15.000,00
Valor Investido (Patrimônio Líquido): R$ 100.000,00

RPL:
(R$ 15.000,00 / R$ 100.000,00)*100,00% = 15,00%

Considerando que ela espera um retorno de 15,00% sobre a sua Receita Total, teremos:

Lucro: R$ 24.000,00
Valor da Receita Total: R$ 160.000,00

RRE:
(R$ 24.000,00 / R$ 160.000,00)*100,00% = 15,00%

Esses dois indicadores (RPL e RRE) demonstram a potencialidade que essa estrutura produtiva possui para geração de lucro. Embora somente com o Ponto de Equilíbrio Operacional seja possível visualizar o potencial de lucro, já informado em tela, o Ponto de Equilíbrio Econômico permite saber se o lucro desejado, pelos proprietários, está no horizonte de lucro da empresa alocado entre o Ponto de Equilíbrio Operacional e a sua capacidade instalada.

Assim como no Ponto de Equilíbrio Operacional, o exemplo apresentado nesta reflexão considera uma empresa produzindo e vendendo somente um tipo de produto. Para aquelas que possuem mais de um produto, outras considerações são necessárias.

Caso você tenha alguma dúvida ou queira informação adicional sobre o tema abordado, entre em contato conosco para podermos ajudá-lo.

Sucesso e bons negócios!

Por: João Daniel Quagliato
Professor pela Universidade Adventista de São Paulo e Consultor em Gestão Econômico-Financeira
www.quagliatoconsultoria.com.br/blog